Mercado árabe abre portas para alimentos brasileiros customizados e em porções menores
Empresas brasileiras de alimentos dispostas a customizar o portfólio ainda têm espaço nos países árabes, mesmo com a saturação na região, onde há ampla disponibilidade de produtos de todo o mundo e grandes estoques reguladores.
A avaliação é de Damon Modaresi, diretor-geral da distribuidora de alimentos Rez Food, com sede no emirado de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e foi feita nesta terça (25), na cidade de São Paulo, durante o Fórum Econômico Brasil-Países Árabes, evento da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira.
De acordo com o executivo, a saturação dos mercados árabes não deve ser vista como um obstáculo para novos entrantes. Segundo ele, o consumidor desses países, especialmente os do Golfo, segue disposto a experimentar novos rótulos. Ele pontua também que as marcas brasileiras mantêm boa reputação na região, o que favorece a aproximação.
“Vocês [brasileiros] têm produtos muito bons no Brasil, mas que nunca foram apresentados ali [países árabes]”, disse Modaresi, que havia participado de rodadas de negócios com empresas brasileiras de alimentos no dia anterior. “É uma grande oportunidade, especialmente para pequenas e médias empresas, pois elas podem começar a introduzir o seu produto para esse novo público”, seguiu.
Modaresi diz que a melhor forma de inserção para pequenas empresas ainda são as vendas online. Segundo ele, os preços de alimentos do varejo online são similares aos praticados nas gôndolas. Existem consumidores bastante adeptos das compras online na região. Além disso, os exportadores podem começar com pequenas quantidades e crescer aos poucos, à medida que aprendem sobre as preferências dos consumidores.
O executivo ressaltou, no entanto, que inserir novas marcas nos países árabes demanda persistência. “Os produtos talvez não sejam vendidos rapidamente, mas com o fim da guerra, haverá uma grande oportunidade”, referindo-se à demanda que historicamente surge em regiões com conflitos recém-encerrados.
Falando no mesmo painel, Hamza Badri, diretor comercial do grupo varejista marroquino LabelVie, seguiu o raciocínio de Modaresi e reforçou a necessidade de adaptação de produtos brasileiros destinados a mercados árabes, que, de forma geral, preferem porções menores do que as disponíveis no Brasil.
Outra demanda relevante é a comunicação em árabe com o consumidor, um atributo nem sempre disponível em todos os produtos vendidos na região, de acordo com Rasmi Almallah, gerente-geral da distribuidora jordaniana SKM Tejaree.
Em comum, os importadores destacaram a qualidade dos alimentos brasileiros. “A qualidade brasileira é muito boa e não deixa a desejar para nenhum produto de outro país, mas ainda é preciso customizar segundo o que pede o consumidor”, resumiu Badri.
O Fórum Econômico Brasil-Países Árabes tem o patrocínio de FAMBRAS Halal e International Halal Academy, Vale, DP World, CDIAL Halal, First Abu Dhabi Bank, MBRF, Qatar Airways e MZAH Investment.

























