Ingredientes botânicos em destaque no SPOT Regulatório na FiSA 2026
No segundo dia da Food ingredients South America 2026, a programação recebeu a quinta edição do SPOT Regulatório by Regularium. O evento teve como discussão central o Cenário Regulatório, com as normas vigentes de alimentos e os impactos na inovação, e os reflexos no uso de ingredientes botânicos, extratos e concentrados vegetais em suplementos alimentares.
A Regularium, consultoria especializada em assuntos regulatórios para a indústria de alimentos e suplementos, é a parceira oficial dessa atração na FiSA. Júlia Coutinho, uma das sócias-fundadoras, abriu o evento e recepcionou os congressistas. “Em todas essas edições do SPOT Regulatório buscamos trazer sempre temas desafiadores, para o setor regulador e também para a consultoria, para o laboratório, para as associações”, destacou.
Confira os destaques da programação e as discussões em alta no setor regulatório.
Por que os ingredientes botânicos despertam interesse da indústria?
Para iniciar a agenda, Júlia seguiu com uma breve apresentação que responde esse questionamento. Ela explica que o mercado passa por transformações. “Hoje a gente tem um consumidor muito mais informado, que se alimenta de informações pelas redes sociais e quer essa personificação do produto para o bem-estar”.
Outro ponto é a demanda pelo clean label. Da perspectiva regulatória, essa não é uma categoria reconhecida pela Anvisa. “Expressões como 100% natural, livre de químicos, sem conservantes, sem aditivos artificiais, não são permitidas pela Anvisa sem definição clara”, reforçou Júlia.
A utilização de extratos e concentrados vegetais para desenvolvimento de alimentos ou suplementos passa por uma variedade de aplicações tecnológicas, nutricionais e funcionais.
“A crescente utilização de ingredientes botânicos nas formulações como uma forma de inovar tem trazido algumas barreiras regulatórias, que é justamente a necessidade de você ter aqueles ingredientes pré-aprovados em listas positivas da Anvisa.”
Nesse sentido, a especialista citou o material da Anvisa “Guia sobre enquadramento e regularização de extratos e concentrados vegetais” (nº87/2025), que apoia a indústria no enquadramento de ingredientes botânicos como aditivos alimentares, novos ingredientes ou ingredientes convencionais.
Ingredientes com função tecnológica vs. novos ingredientes
Máisa Tapajós, também sócia-fundadora da Regularium, apresentou a palestra “Ingredientes botânicos em suplementos alimentares: ingredientes com função tecnológica (Art. 6º da RDC nº 243/2018) ou novos ingredientes (RDC nº 839/2023)?”.
Ela explicou que os ingredientes derivados de espécies vegetais são classificados como:
- Aditivos alimentares (RDC nº778/2023 e IN nº211/2023);
- Aditivos aromatizantes (RDC nº725/2022);
- Ingredientes convencionais;
- Ou novos ingredientes (RDC nº839/2023 e IN nº244/2024).
A Resolução 839 “mudou completamente a forma como a Anvisa solicita que os dossiês regulatórios de novos alimentos sejam apresentados para avaliação”, segundo Máisa. Agora é necessário informar “qual é a identidade desse ingrediente? Como foi feita a obtenção desse ingrediente? Qual é a composição? E qual é a finalidade?”.
Citando o guia da Anvisa mencionado anteriormente, Máisa lembrou que “existia um limbo regulatório em como enquadrar o ingrediente, e esse guia veio para trazer respostas, porque ele traz a diferenciação entre extratos e concentrados, a definição correta de cada um deles, e traz exatamente as informações que a empresa precisa saber para poder definir”.
O público pode acompanhar um quadro deste guia com as questões que direcionam para a definição do ingrediente.
A programação seguiu com as seguintes palestras:
- Ingrediente botânico: por que ainda é tão desafiadora a inclusão na lista positiva da Anvisa? – Gislaine Gutierrez, vice-presidente do Conselho Diretivo da ABIFISA (Associação Brasileira das Empresas do Setor Fitoterápico, Suplemento Alimentar e de Promoção da Saúde).
- Definição da finalidade de uso e alegações funcionais para extratos e concentrados seletivos – Sheila Tenório, gerente técnica da Regularium.
- Desafio analítico na quantificação de substâncias bioativas derivadas de ingredientes botânicos em suplementos alimentares: controle de qualidade e estudos de estabilidade – Laerte Dall’Agnol, presidente do Conselho Diretivo da ABIFISA e CEO da DALL PHYTOLAB.
Finalizando a programação, Lígia Lindner Schreiner, gerente da Gerência de Avaliação de Risco e Eficácia (GEARE) da Anvisa, participou remotamente com sua visão técnica para os desafios do setor quanto ao uso dos ingredientes botânicos em suplementos alimentares, alimentos e bebidas.
Fonte: Redação FiSA

























