Segmento de PET FODD cresce e estimula a modernização de plantas industriais
O mercado pet no Brasil está em expansão. Em 2025, essa atividade econômica movimentou R$ 77 bilhões, montante 10% superior ao registrado no ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet). Entre as diversas categorias de produtos e serviços, o segmento de Pet Food é o que mais se destaca. Para este ano, a projeção é de que alimentos voltados a animais de estimação representem 53% do faturamento do setor.
De acordo com Instituto Pet Brasil (IPB), os tutores de animais de estimação têm buscado cada vez mais itens que atuem na prevenção de doenças e promoção da longevidade, os chamados produtos de Nutrição de Precisão e Snacks Funcionais, que incluem petiscos e rações super premium.
Para Franklin Oliveira, Gerente Nacional de Indústrias & Portos da AGI Brasil, uma das principais fornecedoras de soluções em armazenamento e movimentação de grãos no país, esse movimento tem impulsionado o avanço tecnológico das plantas industriais do setor. "As fábricas precisam implementar processos de extrusão e controle de contaminantes com rigor idêntico ao de alimentos humanos (Human Grade). As plantas precisam estar preparadas para operar com múltiplas formulações, alto rigor sanitário e rastreabilidade completa", diz.
Franklin comenta ainda que é necessário que as fábricas se atentem a cinco critérios para atender com qualidade e segurança a crescente demanda do mercado:
1. O layout define o nível de segurança sanitária: em plantas modernas, o desenho industrial é pensado para evitar cruzamento de fluxos entre matérias-primas, produto acabado e áreas de manutenção. A segregação física reduz riscos de contaminação cruzada e facilita processos de higienização. "O layout é uma decisão estratégica. Um projeto mal estruturado pode gerar retrabalho, perda de eficiência e até comprometer certificações", explica.
2. Controle térmico é fator crítico de qualidade: temperatura e umidade impactam diretamente a estabilidade nutricional e a conservação do alimento. Por isso, fábricas de alta performance incorporam sistemas de monitoramento contínuo e automação que permitem ajustes rápidos ao longo do processo produtivo. "Em um mercado premium, pequenas variações podem significar perda de desempenho ou descarte de lote. O controle ambiental é parte central da engenharia", destaca o especialista.
3. Rastreabilidade total deixou de ser diferencial e virou requisito: as novas plantas são projetadas para permitir o acompanhamento detalhado de cada lote, desde o recebimento dos insumos até a expedição. Sistemas integrados garantem registro de dados operacionais, facilitando auditorias e atendimento às exigências regulatórias. "A rastreabilidade protege a indústria e o consumidor, pois reduz vulnerabilidades e aumenta a previsibilidade da operação", pontua Oliveira.
4. Equipamentos pensados para higiene e durabilidade: superfícies com menor acúmulo de resíduos, estruturas de fácil limpeza e materiais resistentes ao desgaste fazem parte do conceito de alta performance. A escolha de equipamentos influencia diretamente o custo operacional ao longo da vida útil da planta. "Decisões tomadas na fase de projeto impactam a eficiência por décadas. A engenharia precisa considerar não apenas a instalação, mas o ciclo completo da fábrica", diz o engenheiro.
5. Automação como aliada da eficiência e da padronização: a integração entre sistemas de dosagem, mistura e transporte interno permite maior precisão nas formulações e estabilidade na produção em larga escala. A automação reduz falhas humanas e melhora indicadores de produtividade. "Com a profissionalização do setor pet, a indústria passou a exigir padronização e repetibilidade. A tecnologia garante consistência mesmo em volumes elevados", complementa.
Franklin destaca ainda que o crescimento desse segmento no Brasil acompanha a tendência global de humanização dos pets e maior atenção à qualidade nutricional. "Nesse cenário, a infraestrutura industrial deixou de ser apenas suporte operacional e passou a ocupar papel estratégico na competitividade das marcas. Quem investe em engenharia adequada constrói vantagem estrutural. A fábrica não é apenas um ativo físico, mas um elemento determinante para qualidade, reputação e sustentabilidade do negócio", conclui.




























