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Rotulagem frontal muda hábitos de 58% dos consumidores brasileiros, aponta pesquisa

O mercado global de alimentos e bebidas vive a maior transformação das últimas décadas. O que antes era uma escolha guiada por conveniência e marketing passou a ser uma decisão informada, crítica e cada vez mais baseada em dados. No centro dessa mudança está o consumidor, especialmente das gerações Z e Alpha, que usa o rótulo como ferramenta de investigação e o smartphone como uma verdadeira lupa nutricional.

No Brasil, essa virada já se reflete diretamente no comportamento de compra. Segundo a Pesquisa Ticket 2025, 58% dos consumidores brasileiros afirmam ter mudado seus hábitos alimentares após a adoção da rotulagem nutricional frontal, conhecida como lupa da Anvisa. O levantamento mostra ainda que cerca de metade dos entrevistados passou a priorizar produtos considerados mais saudáveis no ponto de venda, evidenciando o impacto prático da informação clara e visual.

Esse movimento local acompanha uma tendência global. Nos Estados Unidos, por exemplo, legislações recentes em estados como a Califórnia avançam no banimento gradual de alimentos ultraprocessados e aditivos sintéticos em escolas e instituições públicas. A pressão regulatória se intensifica diante de dados alarmantes: atualmente, os ultraprocessados representam cerca de 62% das calorias consumidas por crianças e 53% por adultos no país.

Para Valmir Rodrigues, CEO da MyTs, plataforma de gestão e rastreabilidade da cadeia de alimentos, a mudança exige que a indústria abandone a comunicação puramente técnica. “A rotulagem frontal provou que o consumidor busca clareza, não complexidade. Dados estáticos e complexos mais confundem do que orientam no momento da compra. Inovar é simplificar. O consumidor quer enxergar a verdade por trás do rótulo sem precisar de um dicionário. Marcas que usam a transparência para facilitar a escolha, em vez de complicá-la com dados inacessíveis, são as que vão liderar o mercado”, afirma o executivo.

Segundo Rodrigues, o sucesso das empresas hoje depende da capacidade de traduzir dados técnicos em confiança real para quem compra. “A rastreabilidade não deve ser apenas um registro interno da indústria, mas o motor da honestidade na prateleira. Tecnologia serve para simplificar a vida: quem traduz a verdade da sua cadeia produtiva em uma linguagem direta cria uma conexão que nenhum marketing substitui”, completa.

A tendência é reforçada pelo uso crescente de aplicativos de análise nutricional, como o Yuka, que já soma mais de 80 milhões de usuários no mundo. Com a leitura de um código de barras, esses apps atribuem notas aos produtos e alertam sobre excesso de açúcar, gorduras e aditivos, ampliando o poder de decisão do consumidor. Embora o interesse por rótulos seja maior entre jovens adultos, estudos indicam que quanto mais visual e direta é a informação, maior o potencial de mudança imediata de consumo, exatamente o papel cumprido pela rotulagem frontal no Brasil.

O impacto na saúde e no comportamento

Apesar dos benefícios iniciais gerados pela medida, é importante que como toda ferramenta de impacto na saúde seja vista com cuidado. Para Carolina Codicasa, nutricionista da Starbem, alimentação é contexto e não pode ser interpretada apenas como soma de calorias: “A rotulagem frontal pode ajudar quando usado como ferramenta educativa, mas confunde quando simplifica demais a alimentação em notas, cores ou listas de “permitido e proibido”. O uso excessivo pode gerar ansiedade, culpa e controle rígido da alimentação. Em jovens e adolescentes, há risco de reforçar comportamentos obsessivos, transtornos alimentares e prejudicar a relação com a comida, quando não orientados por um nutricionista.”, alerta.

A nutricionista ressalta ainda que o uso saudável da ferramenta é utilizar os dados como orientação geral e não como regra absoluta: “É importante ter em mente que nenhum alimento isolado define saúde, muito menos a contagem de calorias quando não associada à um contexto. Idealmente, o uso de aplicativos e informações nutricionais devem vir acompanhados da orientação do nutricionista para transformar dados em decisões conscientes.” explica a profissional.

A psicóloga Ticiana Paiva, da plataforma Starbem, também alerta para o uso consciente dos dados e como esse tipo de comportamento pode afetar a relação dos jovens com a comida: “Dados nutricionais podem orientar escolhas, mas não devem funcionar como juízes do valor pessoal, isso implica desenvolver uma relação mais flexível com a alimentação. O uso de aplicativos, rotulagem e ferramentas digitais pode ser positivo quando fortalece a autonomia e a consciência, mas torna-se prejudicial quando alimenta controle excessivo e vigilância constante. No fundo, o critério mais importante deixa de ser “estou seguindo todas as regras?” e passa a ser “isso está me ajudando a viver melhor, com mais equilíbrio, foco e bem-estar?”.

Créditos Foto: Freepik


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