Sorvete ganha novas dinâmicas de consumo e categoria passa por efeito ampulheta
A categoria de sorvetes apresenta movimentos distintos entre as diferentes faixas de preço. Segundo levantamento da Scanntech, empresa líder em inteligência de dados para o varejo e a indústria de bens de consumo de alto giro, o volume vendido na categoria recuou 5,4% entre janeiro e julho de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. A retração, porém, não foi distribuída de forma uniforme: os segmentos premium e econômico ganharam participação no volume da categoria (1,3 e 1,6 ponto percentual, respectivamente), enquanto o mainstream perdeu 2,8 pontos percentuais de share.
Celebrado em 23 de setembro, o Dia Nacional do Sorvete coloca em evidência uma categoria que vem passando por mudanças na relação entre preço e consumo. No período analisado, o preço médio do segmento econômico caiu 2,5% e o do premium caiu 4,9%. O mainstream foi o único a se mover na direção oposta, com alta de 4,4% no preço médio e foi também o único a perder espaço.
A consequência é uma aproximação entre as duas faixas superiores. Em 2025, o preço médio do sorvete premium equivalia a 2,26 vezes o do mainstream. Em 2026, essa relação caiu para 2,06 vezes.
“O efeito ampulheta é uma polarização entre o premium, associado à qualidade e a um maior valor percebido pelo consumidor, e o econômico, focado em preço. O mainstream fica no meio e entrega um pouco de cada. Quando o preço dele se aproxima das duas pontas, o consumidor tende a migrar para uma delas”, explica Felipe Passarelli, Head de Inteligência de Mercado da Scanntech.
A relação entre temperatura e consumo também ajuda a contextualizar o desempenho da categoria em 2026. Na comparação com os anos anteriores, temperatura e volume de sorvetes caminharam de forma semelhante em 2024 e 2025. Já em 2026, esse padrão se rompeu: as temperaturas ficaram mais amenas, mas o volume de sorvetes recuou em uma proporção maior do que a observada nos períodos anteriores. A temperatura ajuda a explicar a direção do movimento, mas não sua intensidade por completo.
“O que temos observado é um comportamento de consumo com menor frequência, mas com escolhas de maior valor agregado. Isso reduz o volume total da categoria, mas não necessariamente a disposição do consumidor a pagar mais por um produto em que ele vê valor em cada ocasião de consumo”, finaliza Felipe Passarelli.
Sobre a Scanntech
A Scanntech uniu tecnologia e dados e se tornou a empresa líder em inteligência de mercado para o varejo e a indústria de bens de consumo na América Latina. Sua capacidade de captar e processar dados substituiu a lógica de amostra e margem de erro por dados massivos, precisão e agilidade no monitoramento do mercado. Uma base anual de mais de 16 bilhões de tickets de compra e, de R$ 1,1 trilhão em vendas ao consumidor, 2 bilhões de pontos de estoque diários e tokens que indicam o comportamento de 60 milhões de consumidores apoia decisões precisas, do estratégico ao tático, nas diferentes áreas do varejo e da indústria e dos distribuidores.


























