Uso de semaglutida aumenta preocupação com saúde e impulsiona suplementação proteica
A popularização dos medicamentos à base de GLP-1, como a semaglutida, vem transformando o mercado de saúde e emagrecimento no Brasil. Com a ampliação do acesso a essas medicações, utilizadas no controle da obesidade e do diabetes tipo 2, cresce também a preocupação de especialistas com um efeito colateral que começa a ganhar atenção: a perda de massa muscular durante o processo de emagrecimento acelerado.
Levantamentos recentes sobre o uso de agonistas de GLP-1 indicam que parte da perda de peso pode incluir redução de massa magra, especialmente quando não há acompanhamento nutricional adequado, prática de exercícios resistidos e ingestão suficiente de proteínas. Estudos clínicos, como o ensaio STEP 1 publicado no New England Journal of Medicine, indicam que aproximadamente 30% a 40% do peso total perdido durante o tratamento prolongado com semaglutida 2,4 mg provém de massa magra.
E o movimento já impacta diretamente o mercado de suplementação alimentar. Segundo dados da Mordor Intelligence, o segmento global de suplementos proteicos está avaliado em US$ 30,3 bilhões e projeta alcançar US$ 43,98 bilhões até 2031.
Para Bethânia Vargas, Head de Produto & Inovação na Pronutrition, indústria especializada no desenvolvimento e fabricação de suplementos alimentares, a discussão sobre suplementação proteica passa a ganhar um novo espaço dentro da rotina de pessoas que utilizam medicamentos para perda de peso.
“O debate sobre GLP-1 deixou de estar restrito ao emagrecimento. Existe uma preocupação crescente com a preservação de massa muscular durante esse processo, principalmente porque muitos pacientes apresentam redução importante no consumo alimentar. Nesse cenário, a proteína passa a ter um papel estratégico para ajudar na manutenção da composição corporal”, afirma a especialista.
Segundo Vargas, o comportamento do consumidor também vem mudando rapidamente. Produtos antes associados exclusivamente ao universo fitness passam a ganhar espaço em um contexto mais amplo de saúde e longevidade.
“O mercado percebeu que suplementação proteica não é mais uma pauta apenas de academia ou hipertrofia. Estamos falando de um consumidor que busca envelhecimento saudável e ter recuperação muscular, funcionalidade e qualidade de vida. O uso de GLP-1 acelera ainda mais essa transformação no setor”, explica.
Além do aumento da procura por whey protein tradicional, a indústria observa crescimento do interesse por formatos mais práticos e funcionais, como bebidas proteicas prontas, shakes, barras, gomas e produtos com combinação de proteínas e outros nutrientes voltados à saciedade e recuperação muscular.
Para Bethânia, o avanço da semaglutida e de outros medicamentos da classe GLP-1 tende a acelerar uma nova categoria de consumo dentro da suplementação: produtos voltados à preservação muscular durante processos de perda de peso.
“A tendência é que a indústria passe a desenvolver soluções cada vez mais direcionadas para esse público, combinando proteína, praticidade e densidade suporte nutricional. O desafio será entregar produtos eficazes, seguros e que façam sentido dentro da rotina de quem está passando por mudanças importantes no estilo de vida. E, claro, reforçar a extrema importância de um acompanhamento especializado em todo esse processo”, conclui Bethânia Vargas.
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