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Chegada de nova caneta emagrecedora brasileira pode impactar varejo alimentar

Desenvolvida pela farmacêutica EMS, a Ozivy, primeira versão nacional lançada após o fim da patente do Ozempic, chegou às farmácias nos últimos dias. Com a promessa de alcançar todo o território do país até o final de julho, o medicamento que promete emagrecimento não só impacta o setor da saúde, mas também o do varejo alimentar. Isso porque, segundo Leandro Rosadas, especialista em gestão de supermercados, os carrinhos dos consumidores estão passando por mudanças após o avanço das canetas GLP-1.

“Até alguns anos atrás, antes da popularidade do Ozempic, o desenvolvimento de suas canetas sucessoras e ainda mais efetivas, os carrinhos de supermercados dos brasileiros contavam com não só guloseimas, mas com produtos que não se encaixavam exatamente no padrão de saudabilidade. Agora, os consumidores procuram, por exemplo, por mais opções de vegetais e frutas, determinados cortes de proteínas, produtos que ajudem a manter o organismo fortificado, o que era encontrado antes em casas focadas em produtos naturais. Atualmente, o setor de varejo alimentar encontra o desafio de se adaptar ao novo hábito saudável por grande parte da população”, explica Leandro.

No Brasil, o uso de canetas emagrecedoras está presente na vida de 5,5% dos habitantes, já quase metade da população também afirma estar tentando emagrecer em 2026, de acordo com o estudo feito pela Euromonitor. Em contrapartida, um dos diferenciais da Ozivy é o seu valor acessível, cada caneta terá o preço cheio a partir de R$ 452, mas haverá descontos especiais, podendo chegar a R$ 287 por mês no primeiro trimestre. O valor mais em conta pode aumentar o uso dos medicamentos GLP-1 no país, em consequência, influenciando ainda mais nas mudanças das prateleiras de supermercados.

Para Leandro, a compra de mercado por uma grande parcela de consumidores já passa por uma reformulação. Se antes, as compras de guloseimas como biscoitos recheados, pizzas e salgados congelados, diferentes tipos de massas, chocolates e outros tipos de doces eram comuns, agora há uma busca maior por produtos que se encaixem na dieta e que sejam estratégicas para os novos hábitos saudáveis.

“É importante o setor se adapte a esse novo foco dos brasileiros. Essa mudança deve abrir um espaço maior para os produtos que se encaixem melhor em diversas dietas. Além de adicionar uma maior quantidade de shakes e iogurtes proteicos nas prateleiras, é interessante disponibilizar uma quantidade maior de alimentos orgânicos e com baixo teor de gordura saturada, uma maior opção de frutas e verduras no setor de hortifruti. Esses itens devem estar mais presentes em gôndolas, podendo alavancar a venda dos estabelecimentos”, aconselha o especialista em gestão de supermercados.

Outra área do varejo alimentar que deve passar por mudanças, ainda de acordo com Leandro, é o de açougue. Isso porque, a busca por cortes de carnes mais saudáveis, com menos gordura, será ainda maior por parte dos consumidores. “A procura de carnes magras como patinho, peito de frango, peixes, como a tilápia, agora são mais comuns, indo contra o movimento antigo, que consistia em compras de carnes gordurosas, linguiças suínas e bovinas, para o dia a dia e datas especiais, como churrascos em família”, afirma Leandro.

O setor de bebidas também é um dos que devem passar por uma reformulação, a procura por hábitos mais saudáveis proporcionam um corte de refrigerantes que possuem um alto teor de açúcar. O que, para Leandro, deve aumentar a disponibilidade de suas versões zero açúcar e calorias para conseguir atender a demanda.

“A estratégia também se encaixa em relação às bebidas alcoólicas, os brasileiros que utilizam as canetas emagrecedoras tendem a não consumir cervejas, vinhos, vodcas e outros tipos já que possuem um alto número de calorias. É positivo que os supermercadistas aumentem a disponibilidade de suas versões zero álcool, já que são menores em calorias e, consequentemente, mais saudáveis e encaixáveis nas dietas”, Rosadas recomenda.

Leandro ressalta que apesar de nem todos os consumidores utilizarem das canetas emagrecedoras, elas também impactaram no resto dos brasileiros. Atualmente, mesmo que não apliquem os medicamentos GLP-1, uma grande parcela da população busca ter uma vida mais saudável, a disponibilidade de produtos que se encaixem nesse padrão já é um fator decisivo de compra.

Sobre Leandro Rosadas (@leandrorosadas):

Leandro Rosadas é economista, escritor e especialista em gestão de supermercados, hortifrutis, atacarejos, padarias e açougues. Formado em economia pela UFRRJ, o carioca já atuou como professor universitário e consultor no mercado de varejo. Hoje, Rosadas é considerado uma das maiores referências entre os especialistas do seu segmento, sendo responsável pela formação em gestão de mais de 13 mil proprietários de supermercados Brasil afora. O especialista também é autor de mais de 15 livros, entre eles “Luuuucro” e “Dobre o lucro do seu supermercado”.


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