Com IA, Unilever Alimentos transforma resíduo de maionese em biogás e reduz toneladas de emissões por ano
A Unilever Alimentos está transformando um dos seus resíduos mais desafiadores em fonte de energia renovável. Em sua fábrica de Pouso Alegre, em Minas Gerais, responsável por 100% da produção da maionese e outros condimentos Hellmann’s, marca líder da categoria, a companhia implementou um biodigestor com apoio de inteligência artificial para converter resíduos de maionese em biogás, fechando o ciclo de subprodutos orgânicos da unidade. Em operação desde 2023, o projeto é considerado inédito nas Américas com o uso deste tipo de material em escala industrial.
A iniciativa reforça o compromisso da companhia em soluções de economia circular e redução de emissões na operação industrial, e parte de um desafio técnico relevante. A maionese, rica em óleos e graxas, é formulada para manter sua estabilidade, o que dificulta sua degradação em sistemas anaeróbicos e exige controle rigoroso de pH e estabilidade biológica. “O grande desafio foi quebrar a estabilidade de um produto pensado para não se degradar facilmente. Conseguimos estruturar um sistema biológico capaz de lidar com essa complexidade de forma controlada”, explica Rodrigo Cano, responsável técnico pelo biodigestor.
O diferencial está na integração entre biologia e tecnologia. A unidade opera com uma inteligência artificial chamada Cerebra, que funciona como um “gêmeo digital” do sistema, analisando variáveis como temperatura, pressão e composição do gás para otimizar a operação e antecipar instabilidades. “Hoje conseguimos prever desvios e aumentar a eficiência da geração de biogás com mais segurança”, afirma Cano.
O biodigestor contribui para evitar a emissão de 350 a 400 toneladas de CO₂ por ano e utiliza o próprio biogás para manter o aquecimento do processo, sem necessidade de combustíveis fósseis. “Transformamos um resíduo complexo em uma fonte de energia limpa, com impacto direto na redução de emissões e na eficiência da fábrica”, destaca Edmundo Mollo, diretor da unidade.
Com retorno previsto em menos de cinco anos, o projeto combina ganhos ambientais e econômicos. Ao longo de quatro fases, iniciadas em 2012, a estratégia inclui o uso de biomassa, compostagem interna e, agora, a biodigestão de resíduos. A etapa final, prevista para 2026, deve ampliar a autossuficiência energética da fábrica. “É uma estratégia de longo prazo que avança na circularidade e fortalece a competitividade da operação”, afirma Mollo.
Desenvolvido em parceria com a Unicamp, o sistema opera continuamente com alto nível de automação e integra biotecnologia, controle químico e reaproveitamento energético. “O biodigestor é um sistema vivo que exige equilíbrio constante. A combinação entre biologia e tecnologia foi essencial para garantir estabilidade e escala”, conclui Cano.
Créditos foto: Unilever Alimentos/Divulgação

























