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O impacto das novas tarifas norte-americanas sobre o setor de aditivos e ingredientes para alimentos e bebidas no Brasil

A conjuntura do comércio internacional em fevereiro de 2026 marca uma das maiores transformações na política comercial norte-americana, mas o impacto também é sentido em solo brasileiro. Para o setor de aditivos e ingredientes para alimentos e bebidas, a transição entre regimes tarifários em Washington criou um cenário de complexidade técnica e necessidade de rápida adaptação estratégica. O anúncio das novas tarifas globais sob a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, realizado na última semana de fevereiro, representou a resposta imediata da administração de Donald Trump à invalidação das medidas anteriores pela Suprema Corte dos Estados Unidos.

O marco legal da mudança: da IEEPA à Seção 122

A instabilidade que caracterizou o início de 2026 teve o seu ápice em 20 de fevereiro, quando a Suprema Corte invalidou o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para a imposição de tarifas amplas, declarando o regime anterior ilegal. Em resposta, a Casa Branca ativou a Seção 122, que permite uma sobretaxa temporária de 10% a 15% para enfrentar desequilíbrios no balanço de pagamentos.

Para o Brasil, esta mudança resultou numa redução da pressão tributária face ao ano anterior. A tarifa média ponderada aplicada aos produtos brasileiros caiu cerca de 13,6 pontos percentuais, uma vez que as taxas punitivas de 50% foram substituídas pela sobretaxa linear. Esta nova configuração, embora ainda protecionista, posiciona o Brasil com uma vantagem competitiva relativa, já que outros parceiros comerciais, como a China, continuam a enfrentar barreiras cumulativas muito superiores.

Impactos no segmento de ingredientes naturais e commodities

O setor de ingredientes naturais brasileiro surge como um dos principais beneficiários deste novo equilíbrio. Com a implementação da sobretaxa linear, produtos como extratos botânicos (açaí, guaraná e acerola) e café solúvel recuperaram fôlego no mercado americano. A Administração Trump, num esforço para mitigar a inflação interna de alimentos, manteve isenções para recursos naturais essenciais e produtos de segurança alimentar, o que favorece diretamente a exportação brasileira de mel orgânico e derivados de frutas cítricas.

O setor de café solúvel, especificamente, que havia registado uma queda de 50% nas exportações em 2025 sob o regime da IEEPA, começa a ver uma janela de oportunidade para fornecer novamente às indústrias de bebidas prontas (RTD) nos EUA. A paridade tarifária global de 10% a 15% permite que o produto brasileiro compita pela qualidade e sustentabilidade, atributos que ganharam peso nas decisões de compra das indústrias americanas em 2026.

Desafios para aditivos químicos e especialidades

Apesar do otimismo em torno dos ingredientes naturais, o segmento de aditivos químicos e especialidades enfrenta um cenário mais complexo. Embora as tarifas sobre químicos orgânicos e inorgânicos (Capítulos 28 e 29 da NCM) tenham baixado dos proibitivos 50% para a faixa dos 10-15%, o custo de produção no Brasil foi impactado pela valorização do dólar, que atingiu os R$ 5,17 em fevereiro.

As indústrias brasileiras que dependem da importação de tecnologia e componentes químicos para fabricar aditivos locais viram os seus custos operacionais subir entre 12% e 19%. Além disso, a manutenção das tarifas da Seção 232 sobre o aço e alumínio continua a pressionar os custos de embalagens metálicas, forçando gigantes do setor, como a BRF, a acelerar a transição para materiais biodegradáveis e papel para manter a margem de lucro. Uma nota positiva foi a isenção de tarifas para vitaminas essenciais (A e complexo B) e ingredientes farmacêuticos ativos (IFAs), uma medida adotada pelos EUA para evitar uma crise de saúde pública e inflação nutricional.

Perspectivas e riscos geopolíticos

O futuro do setor depende agora da capacidade de navegar entre as oportunidades nos EUA e as ameaças globais. O governo brasileiro monitora de perto o risco de "desvio de comércio", onde o excesso de produção chinesa de aditivos e químicos, bloqueado por tarifas americanas ainda mais altas, possa ser despejado no mercado brasileiro a preços de dumping.

Além disso, a administração Trump mantém a ameaça de investigações sob a Seção 301, que poderiam levar a retaliações específicas contra setores brasileiros caso questões como a taxação de serviços digitais ou o sistema Pix sejam consideradas prejudiciais aos interesses americanos. Até julho de 2026, quando expira o prazo da Seção 122 sem novo aval do Congresso, o mercado de ingredientes deve operar sob o signo da vigilância normativa, focando na diversificação de fornecedores e na proteção contra a volatilidade cambial.

Créditos foto: Freepik


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